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Comportamento de risco para doenças crônicas não transmissíveis é 21% maior em jovens que em idosos
Estudo desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) analisou as tendências temporais dos comportamentos de risco relacionados às doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no Brasil e revelou estagnação alarmante entre 2009 e 2019. Também de acordo com o estudo, adultos jovens (de 18 a 34 anos) apresentam 21% mais comportamentos de risco para DCNT do que idosos com 60 anos ou mais.
“Essas doenças geralmente são associadas à idade, e é muito preocupante a presença delas em indivíduos mais jovens. É o que chamamos de perda prematura de anos de vida saudáveis”, destacou Thaís Cristina Marquezine Caldeira, doutoranda em Saúde Pública da UFMG. Ela publicou artigo sobre sua pesquisa em abril deste ano, na revista científica Preventing Chronic Disease, do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos.
As DCNT são condições de longa duração que resultam de combinação de fatores genéticos, fisiológicos, ambientais e comportamentais. Algumas das mais comuns são doenças cardiovasculares, diabetes, câncer, doenças respiratórias crônicas e obesidade. Grande parte da sua ocorrência está relacionada com o acúmulo de hábitos de risco, como consumo abusivo de álcool, consumo regular de bebidas açucaradas, tabagismo, má alimentação e falta de atividades físicas.
Associadas à morte prematura, as doenças crônicas não transmissíveis ainda podem gerar perda da qualidade de vida saudável e prejuízos econômicos substanciais em todo o mundo. E sobrecarregam o sistema de saúde.
Para a análise da tendência de comportamentos de risco, foram utilizados dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2009 a 2019, que processou entrevistas com 567.336 adultos. O Vigitel é um inquérito de base populacional feito anualmente por meio do telefone fixo, em todas as 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.
Fatores de risco
Orientada em seus estudos de mestrado pelo Dr. Rafael Claro, professor do Departamento de Nutrição da Escola de Enfermagem da UFMG, Thais Caldeira analisou cinco fatores comportamentais de risco principais para as DCNT: consumo infrequente de frutas e hortaliças (menos de cinco dias na semana), consumo regular de bebidas açucaradas (cinco ou mais dias na semana), tabagismo, consumo abusivo de álcool (quatro ou mais doses em ocasião única, nos últimos 30 dias, para mulheres, e cinco doses para homens) e prática de atividade física insuficiente (menos de 150 minutos por semana). Foram avaliadas também características sociodemográficas, como sexo, faixa etária e escolaridade.
De acordo com a pesquisa, os comportamentos de risco que mais contribuíram para a incidência de mais de uma DCNT foram o tabagismo, o consumo de bebidas açucaradas e o consumo abusivo de álcool. Os pesquisadores observaram que a coexistência dos comportamentos inadequados é maior entre os homens do que entre as mulheres e está inversamente associada a faixa etária e anos de escolaridade – ou seja, quanto maior a idade e a escolaridade, menor a incidência. O artigo estimou que mais de 40% da população mantém pelo menos dois desses comportamentos simultaneamente.
Acesse o artigo científico completo (em inglês).
Acesse a notícia completa na página da Universidade Federal de Minas Gerais.
Fonte: Centro de Comunicação da Faculdade de Medicina da UFMG.
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