Destaque
Musculação para pacientes renais reduz níveis de ansiedade e depressão
Fonte
CAPES | Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
Data
sexta-feira. 30 setembro 2022 13:50
O estudo de Lysleine Alves de Deus, doutoranda em Educação Física pela Universidade Católica de Brasília (UCB) recebeu o primeiro lugar no 34° Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia. Ela mostrou que pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), em estágio avançado, que praticam exercícios de força, como a musculação, possuem menores níveis de ansiedade e depressão.
“Nós avaliamos que os nossos pacientes com doença renal em estágio hemodialítico apresentavam níveis elevados de ansiedade e de depressão. A literatura mostra que quando nós temos o treinamento resistido (TR), a musculação, induzimos a produção de uma proteína muito importante, a BDNF. Ela atua nas áreas autônomas do nosso cérebro como um neuroprotetor e tem associação direta com os níveis de ansiedade e depressão. Ou seja, baixos níveis de BDNF estão associados a altos níveis de depressão”, explicou Lysleine.
“A doença renal crônica é uma deficiência sistêmica que provoca a perda da autonomia do paciente, levando-o a limitações físicas, restrições laborais e também a perdas sociais. Pacientes em estágios terminais geralmente são submetidos a sessões regulares de hemodiálise, um tratamento rigoroso e debilitante”, continuou a doutoranda.
Treinamento Resistido
“Vale destacar que em pacientes com doença renal em estágio hemodialítico (que precisam fazer hemodiálise), o acesso à academia é um pouco mais complicado. Então realizamos um treinamento na própria clínica, momentos antes da hemodiálise. Para isso utilizamos equipamentos portáteis, caneleiras, halteres, elásticos. O interessante deste estudo é que nós avaliamos dois tipos de treinamento: o resistido convencional – com cargas mais elevadas – e o resistido feito com restrição de fluxo sanguíneo. Isso porque alguns pacientes não conseguem realizar uma contração muscular mais intensa por diversas causas. Então o treinamento resistido, com a restrição de fluxo, induz uma produção do BDNF semelhante ao treinamento resistido tradicional com cargas elevadas e pode ser utilizado em pacientes que têm uma menor resistência ao exercício. Os dois treinamentos são igualmente eficientes em produzir essa proteína que vai proteger os neurônios e melhorar a qualidade de vida desses pacientes”, disse Lysleine.
Resultados da pesquisa e conclusão
“Constatamos que, de fato, a musculação induz um aumento do BDNF, da capacidade antioxidante e da qualidade de vida desses pacientes. O que resulta na mudança dos sintomas de depressão e ansiedade em pacientes com (DRC) em tratamento hemodialítico. Além disso, os níveis séricos de BDNF foram associados à força de preensão manual, papel e bem-estar emocional”, explicou a pesquisadora.
“Constatamos que a musculação foi eficaz como ferramenta não farmacológica para aumentar os níveis de BDNF, qualidade de vida, moderar o equilíbrio e diminuir a intensidade dos sintomas depressivos em pacientes em hemodiálise. Portanto, sugerimos a musculação como um tratamento viável para o manejo de sintomas depressivos, força muscular e qualidade de vida em pacientes com esse perfil. Além disso, destacamos o BDNF como parte dos benefícios induzidos pelo exercício nesta população, sugerindo um importante papel do Treinamento Resistido no eixo músculo-cérebro-renal”, concluiu Lysleine Alves de Deus.
Acesse a notícia completa na página da CAPES.
Fonte: Redação CCS/CAPES.
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