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Câmera inteligente reduz complicações inesperadas em hospitais
Suponha que você seja um paciente cardíaco ou com câncer e tenha feito uma cirurgia. Assim que a cirurgia for bem-sucedida e você não precisar mais permanecer na Unidade de Terapia Intensiva, você geralmente é transferido para uma enfermaria para continuar sua recuperação.
Lá você não será monitorado constantemente. No entanto, mesmo assim, é vital que os médicos e enfermeiras fiquem atentos a complicações. Na maioria dos hospitais, alguém vai ao seu leito a cada seis a dez horas para medir seu pulso e verificar sua respiração.
Isso pode soar como um arranjo sensato. No entanto, o tempo entre essas verificações é bastante longo, com o risco de que algo aconteça nesse intervalo de tempo. Além disso, as verificações podem ser incômodas, especialmente se o paciente estiver dormindo. Não seria bom ter um sistema que pudesse monitorá-lo remotamente de forma contínua, sem incomodá-lo?
Câmera Inteligente
Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Eindhoven e do Hospital Catharina em Eindhoven, nos Países Baixos, acreditam ter encontrado a solução: uma câmera inteligente que verifica constantemente seu batimento cardíaco e sua respiração e envia um sinal para médicos e enfermeiras quando algo está errado.
Os pesquisadores acreditam que isso reduzirá as complicações e óbitos inesperados, já que cerca de 40% destas intercorrências ocorrem em enfermarias.
“A câmera usa inteligência artificial e está focada no tórax e no rosto do paciente. Isso permite ver exatamente se há alguma mudança sutil na cor do seu rosto ou no movimento do tórax, o que poderia indicar possíveis complicações”, disse a Dra. Sveta Zinger, professora do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Tecnológica de Eindhoven e especialista em análise de imagens médicas. As imagens captadas são processadas em algoritmos de aprendizagem de máquina.
Do laboratório para o hospital
A câmera foi amplamente testada em laboratório nos últimos anos. “Isso mostrou que uma câmera inteligente pode medir remotamente dados vitais, como frequência cardíaca, respiração, temperatura e quantidade de oxigênio no sangue. Usando o aprendizado de máquina, podemos interpretar esses dados também”, explicou a Dra. Zinger.
“Para ver se a câmera também funciona em um ambiente clínico, vamos conduzir um experimento no departamento de UTI do Hospital Catharina [em Eindhoven]. Dez pacientes e cinco voluntários saudáveis serão monitorados ininterruptamente por oito horas, período durante o qual combinaremos os dados da câmera com os dados de medição do equipamento da UTI, o ‘padrão ouro’ quando se trata de monitoramento. Isso nos permitirá treinar a câmera em situações com as quais ainda não estamos familiarizados, por exemplo, quando há menos luz, ou quando um paciente vira o rosto”, continuou a pesquisadora.
Pixels anônimos
Para aqueles que podem ter reservas sobre ter uma câmera ao lado de sua cama, a Dra. Zinger enfatiza que a privacidade do paciente é fundamental. Todos os participantes do estudo precisam dar sua autorização expressa, e há um botão em cada câmera que permite ao paciente desligar o aparelho, se assim o desejar.
“Além do mais, os pacientes não são pessoalmente identificáveis nas gravações de vídeo. Para que os algoritmos façam seu trabalho, eles só precisam de pixels anônimos”, disse a pesquisadora.
Benefícios para os pacientes
O Hospital Catharina, com sede em Eindhoven, vê grandes benefícios da câmera inteligente. “Nosso hospital é especializado em doenças cardiovasculares e também trata muitos pacientes com câncer. É particularmente importante para este grupo que eles sejam monitorados de perto. As complicações podem afetar negativamente a recuperação e, em alguns casos, podem até ser fatais. A intervenção oportuna é, portanto, de grande importância”. disse o anestesista Dr. Arthur Bouwman.
Além disso, uma câmera é menos estressante do que verificações regulares com um eletrocardiograma, no qual o paciente tem eletrodos colados em seu corpo, ou um medidor de saturação, no qual um clipe é colocado no dedo para medir a quantidade de oxigênio no sangue. “O paciente agora pode se mover livremente e não está mais restrito por cabos com eletrodos. Essa é uma ótima notícia”, destacou o Dr. Bouwman.
O médico espera que a câmera possa ser usada principalmente em enfermarias. “Não acho que a câmera possa substituir o monitoramento clássico na UTI e no cuidado médio. Há muito ‘ruído’ nesses lugares para isso, o que distorce a imagem. Mas queremos começar a testar a câmera para monitoramento domiciliar”, concluiu a Dra. Sveta Zinger.
A câmera será melhorada e testada clinicamente nos próximos anos.
Acesse a notícia na página da Universidade Tecnológica de Eindhoven (em inglês).
Fonte: Universidade Tecnológica de Eindhoven.
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