Notícia

Dispositivos microfluídicos e smartphone permitem autoexame clínico

Tecnologia permite que a pessoa faça alguns exames clínicos em casa


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Divulgação

Fonte

Agência USP

Data

quinta-feira, 28 maio 2015 10:15

Áreas

Biotecnologia.

Coletar amostra da própria urina, colocá-la em uma folha de papel com reagentes e fazer a leitura do resultado pelo smartphone. Esta é uma técnica de autoexame clínico já existente e estudada há mais de seis anos por pesquisadores do Grupo do Bioanalítica, Microfabricação e Separações (BioMicS), do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP.

Uma das pesquisas é do químico Giorgio Gianini Morbioli, que sob orientação do Prof. Dr. Emanuel Carrilho, aprimorou essas funcionalidades através dos chamados dispositivos microfluídicos analíticos baseados em papel, permitindo maior durabilidade do dispositivo até a realização do teste clínico. Outra inovação do estudo foi criar um software para a análise dos resultados pelo celular. O foco da pesquisa de Morbioli foi o diabetes, mas a técnica pode ser utilizada para outras doenças, como periodontite, nefrite, câncer de próstata e outras.

Esses microdispositivos permitem que as pessoas possam fazer exames clínicos sozinhas. Segundo o químico, isso é possível porque as amostras utilizadas são de fluídos biológicos obtidos de maneira não-invasiva, como lágrimas, urina, suor e saliva. Os fluídos são colocados nos dispositivos, que contêm reagentes e fornecem as análises das amostras.

“Os dispositivos microfluídicos analíticos baseado em papel, também chamados de μPADs, são feitos em papel de laboratório, que difere do papel comum por ser composto apenas por celulose. O papel recebe aplicações de cera para se criar regiões hidrofóbicas”, afirma o pesquisador.

No papel, também são aplicados reagentes químicos, que serão os responsáveis por interagir com as amostras dos fluídos biológicos. “Esses caminhos construídos no papel com a cera agem como barreiras para guiar a amostra até as áreas específicas onde estão os reagentes. A reação entre amostra e reagente leva a alterações de cor que podem ser percebidas a olho nu, por exemplo, quanto mais colorido o papel, mais reagente tem a amostra”, detalha Morbioli.

Esses dispositivos têm baixo custo, facilidade de uso, baixo consumo de reagente e de amostra, portabilidade e descartabilidade. Trata-se de uma ferramenta de diagnóstico acessível e pode ser disponibilizado para regiões remotas, sem acesso a laboratórios clínicos.

Smartphone

Além de aumentar a vida útil dos dispositivos com o aumento da estabilidade dos reagentes neles imobilizados, a pesquisa de Morbioli apresentou ainda um aplicativo para celular para fazer a “leitura” do resultado das amostras de maneira automática. O aplicativo foi desenvolvido pelo cientista da computação Thiago Miranda, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

“Para o teste de diabetes, coloca-se a urina no dispositivo, espera-se trinta minutos e surge a coloração no papel. Fotografa-se com a câmera do celular e o próprio aplicativo apresenta o resultado a partir de um software”, conta o químico.

Linha de pesquisa

A pesquisa fez parte da dissertação de mestrado do químico, que será defendida em junho. Os estudos sobre dispositivos microfluídicos analíticos baseados em papel no grupo BioMicS, do IQSC, foram iniciados no grupo de pesquisa do professor George Whitesides, na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, em 2007, quando o professor Carrilho realizava um pós-doutoramento. Hoje em dia, muitos grupos de pesquisa no mundo e também no Brasil desenvolvem trabalhos nessa linha multiplicando as possibilidades de avanços nas pesquisas.

Outras linhas de pesquisa do grupo BioMicS para diagnósticos de baixo custo envolvem o desenvolvimento de plataformas de papel para a detecção de câncer e a realização de imunoensaios para detecção de malária, de grande relevância à saúde pública. “A ideia é oferecer tecnologias de baixo custo para diagnósticos que alcancem àqueles que delas necessitam, suportando assim a medicina preventiva, diminuindo-se gastos com tratamentos tardios e mais custosos”, destaca o professor Carrilho.

Fonte: Hérika Dias, Agência USP. Imagem: Divulgação.

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