Notícia
Diagnóstico e tratamento da Síndrome dos Ovários Policísticos
Revista científica entrevista especialista, que fala das novidades, desafios e discussões sobre o diagnóstico e tratamento da síndrome
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Fonte
BMC Medicine
Data
quarta-feira, 27 maio 2015 06:40
Áreas
Endocrinologia. Ginecologia e Obstetrícia.
Recentemente, a revista científica médica BMC Medicine publicou entrevista com o Dr. Richard Legro, professor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Penn State, na Pensilvânia, EUA. O Dr. Richard Legro é especialista em endocrinologia reprodutiva, com foco no diagnóstico, tratamento e causas genéticas e ambientais da Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). Na entrevista, também disponível na forma de Podcast, o pesquisador fala sobre as recomendações para o diagnóstico e tratamento da SOP com base em diretrizes da prática clínica e discute os desafios no diagnóstico em grupos etários específicos. As controvérsias associadas com o tratamento da SOP, incluindo terapias para a infertilidade, estão destacadas em conjunto com as perspectivas futuras sobre o tema.
Abaixo, alguns trechos da entrevista:
As diretrizes da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos fornecem recomendações baseadas em evidências sobre o diagnóstico e tratamento da SOP. Quais as propostas apresentadas nestas diretrizes para o diagnóstico?
“É recomendável que os chamados critérios de Rotterdam sejam utilizados para diagnosticar a SOP. Estes critérios são baseados em encontrar duas das três características fundamentais que caracterizam a SOP. A primeira é o hiperandrogenismo, diagnosticado com base em um sinal clínico, como o hirsutismo (pelos em excesso), ou com base nos níveis elevados de hormônios androgênios. A segunda característica é a disfunção ovulatória, que pode se manifestar como oligomenorreia ou menstruação infrequente. Às vezes, isso é observado como amenorréia secundária ou ausência de períodos menstruais por um tempo. Outra característica é a aparência do ovário como “policístico”. Neste caso, o ovário contém vários folículos muito pequenos, que são do tamanho de meio centímetro ou menos, que se desenvolvem em folículos ovulatórios. Isto aumenta o ovário com vários folículos e geralmente aumenta a porção central do ovário que é sólida. Este aparecimento do ovário policístico é o terceiro sinal.
De qualquer modo, os critérios de Rotterdam também sofrem críticas. Mas todos concordam com o cuidado que se deve tomar com outras alterações que podem simular a SOP, conduzindo a erros diagnósticos.”
E para melhorar o tratamento, quais são as recomendações?
“O tratamento deve se concentrar nas queixas do paciente, que podem ser variáveis. Se o doente apresentar uma queixa principal de hirsutismo, então deve-se, certamente, tratar o hirsutismo. Se a queixa principal é a infertilidade, deve-se tratar a infertilidade. Se a queixa principal é um distúrbio menstrual, ou oligo-ovulação, menstruação ocasional, sangramento freqüente ou menorragia (menstruação pesada e prolongada), então deve-se tratar estas manifestações.
Infelizmente, os tratamentos variam de acordo com as queixas. Para lhe dar um exemplo, para a infertilidade, onde temos a tendência para induzir a ovulação, não há realmente nenhum tratamento que induza a ovulação que também trate adequadamente o hirsutismo. Assim, muitas vezes temos que colocar o hirsutismo em segundo plano, enquanto trata-se a infertilidade. Da mesma forma, a maioria dos tratamentos para hirsutismo envolvem supressão dos ovários e supressão de qualquer possibilidade para a ovulação. É difícil ter foco no hirsutismo e, secundariamente, tratar também a fertilidade.
Várias das diretrizes da prática clínica concentram-se no que muitos de nós sentimos que seja a condição “sine qua non” da síndrome, que é o hiperandrogenismo. O melhor tratamento para o hiperandrogenismo no sexo feminino é de alguma forma a supressão hormonal. Isso pode incluir a contracepção hormonal – obviamente o mais comum é a indicação de pílulas anticoncepcionais. Há também formulações contraceptivas que podem ser utilizadas para suprimir o hiperandrogenismo dos ovários.”
Existem controvérsias associadas com o tratamento da SOP ?
“Eu diria que a controvérsia primária diz respeito a como considerar a SOP. Uma escola de pensamento a considera como uma doença metabólica, enquanto outra diz que a síndrome dos ovários policísticos é primariamente uma doença reprodutiva em que há a comunicação inadequada do cérebro e da hipófise com o ovário. Se estes sistemas forem sintonizados, você pode ter uma mulher com ovulação normal.
A escola reprodutiva certamente recomenda o uso de contraceptivos hormonais para suprimir o hiperandrogenismo, ou o uso de agentes orais que afetam a ação do estrogênio para tratar a infertilidade. A escola metabólica centra-se mais na tentativa de melhorar a ação da insulina. Metformina tende a ser a primeira escolha para muitas queixas, tanto do ponto de vista metabólico como para o tratamento do hiperandrogenismo. A Metformina faz baixar a circulação de andrógenos e melhora a taxa de ovulação. Muitos a utilizam também como uma droga de fertilidade. No entanto, ela não parece ser tão eficaz como o clomifeno ou o letrozol (um inibidor da aromatase).
Outra abordagem é a modificação do estilo de vida, em relação à alimentação e prática de atividades físicas, com ênfase na perda de peso como um meio de melhorar o metabolismo. Uma das coisas que são delineadas na diretriz, e também em duas meta-análises que foram publicadas recentemente no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, é que a mudança no estilo de vida não influi significativamente sobre o hiperandrogenismo. É difícil defender apenas a mudança no estilo de vida como um tratamento de primeira linha eficaz para as principais queixas que essas mulheres apresentam: hirsutismo, infertilidade e desordem menstrual.
E quais as direções futuras mais promissoras para o diagnóstico e tratamento da SOP ?
“Certamente, no diagnóstico, tem havido muita pesquisa tentando olhar para um marcador endócrino que possa identificar as mulheres com tendência à síndrome dos ovários policísticos. Provavelmente, o marcador sérico mais promissor é o chamado Hormônio Anti-Mulleriano (HAM), que possui alguma correlação com alguns pequenos folículos antrais. Este pode ser um teste de sangue útil especialmente em mulheres mais jovens, onde um ultrassom pode ser indesejado e invasivo, além do que todos os profissionais poderiam usar, não apenas os ginecologistas, que têm fácil acesso ao ultrassom transvaginal. Eu acho que o debate ainda está aberto sobre isso e temos que pesquisar mais. Outro tipo de marcador promissor são os marcadores genéticos, identificados através de estudos do genoma.
Em termos de tratamento da SOP, há um grande interesse no desenvolvimento de medicamentos orais que podem modificar a forma como o cérebro e a hipófise se comunicam com o ovário. Acho que muitas dessas drogas podem ser úteis para o tratamento da síndrome do ovário policístico.
Outra questão importante, para a qual acabo de ter resultados de pesquisa, é: o que fazer com as mulheres obesas com SOP que querem engravidar? O quanto devemos nos concentrar na modificação de estilo de vida e perda de peso antes do tratamento e o quanto devemos apenas seguir diretamente para o tratamento. Nós realmente precisamos de estudos prospectivos que testem uma modificação de estilo de vida em comparação com um tratamento alternativo controlado para ver quais poderiam ser os benefícios em termos de melhorar os resultados da gravidez tanto para a mãe quanto para o bebê.”
Leia a entrevista completa (em inglês).
Fonte: BMC Medicine. Tradução: Tech4Health.
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