Notícia
Os efeitos da radioterapia na pele
Reações como a radiodermite podem aparecer como efeitos da irradiação
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Fonte
A.C. Camargo Cancer Center
Data
quarta-feira, 20 maio 2015 10:00
Áreas
Oncologia. Radioterapia.
Importante método terapêutico que utiliza radiação para destruir células tumorais, a radioterapia pode provocar alguns sintomas, como febre, cansaço e fadiga. No entanto, os efeitos colaterais mais perceptíveis dessa modalidade terapêutica – hoje minimizados com os novos avanços tecnológicos – se manifestam na pele.
Como recebe altas doses de radiação, a pele pode ficar avermelhada ou até mesmo apresentar pequenos ferimentos, reações chamadas de radiodermite, ou seja, lesões na pele após a exposição à radiação. Dores, assaduras e secreções são outros efeitos possíveis. A resposta dada pelo paciente varia de acordo com as substâncias e taxas de radiação aplicadas, além da individualidade do organismo.
Caso o paciente apresente alguma reação, é fundamental avisar o médico imediatamente. “Sintomas como febre, dores musculares, assaduras e secreções podem ser esperadas durante a radioterapia, mas requerem muitos cuidados e precisam ser informados”, avisa a Dra. Bianca Costa Soares de Sá, médica titular do Núcleo de Câncer de Pele do A.C.Camargo.
Felizmente há recursos terapêuticos que ajudam a amenizar esses efeitos. Independentemente da especificidade do caso, é recomendado evitar o uso de cremes, pomadas, perfumes e medicamentos sem autorização médica, além da exposição solar na área irradiada. Em um centro de referência como o A.C.Camargo, há uma equipe de apoio que acompanha o paciente antes, durante e depois do tratamento, com o objetivo de atenuar esses possíveis efeitos colaterais.
Pele com tatuagem
A existência de uma tatuagem na região a ser tratada com radioterapia não constitui um problema. “A única possível consequência, em casos raros, é a desconfiguração do desenho aplicado. Mas a tatuagem não interfere no tratamento radioterápico, tampouco aumenta o risco de complicações na pele”, explica.
Caso isso ocorra, após o procedimento terapêutico, é necessário um tempo de espera para retocar a tatuagem modificada ou criar um novo desenho. “É preciso pelo menos um mês depois da radioterapia para poder novamente manipular a pele, caso a mesma não apresente mais sinais de radiodermite”, orienta a dermatologista.
Se o paciente deseja retirar a tatuagem, por apresentar alguma deformidade causada pelo tratamento, Dra. Bianca estima um tempo ainda maior. “Apesar de não haver contraindicação para a utilização de laser, a pele deve estar totalmente cicatrizada”.
Como funciona a radioterapia
Um dos fatores que interferem nas manifestações cutâneas geradas pela radioterapia é a profundidade do tumor em relação à superfície da pele, de acordo com Dr. Cássio Pellizzon, Diretor do Departamento de Radioterapia do A.C.Camargo Cancer Center. “Se tratarmos de uma lesão no braço, utilizaremos poucos campos de radiação, por tratar-se de uma estrutura pouco espessa. Diferentemente da região abdominal, na qual o órgão pode estar numa profundidade muito maior em relação à superfície do corpo”, explica.
A dosagem é outro ponto destacado pelo especialista. “A irradiação de tumores de mama e cabeça e pescoço são as que mais aumentam a chance de manifestações cutâneas. Em um câncer na língua, por exemplo, onde os gânglios linfáticos estão a meio centímetro da pele, na derme e abaixo dela, essa região receberá uma dose próxima da radiação quase tão alta quanto a que é necessária para eliminar o tumor”, exemplifica.
Dr. Cássio Pellizzon ressalta também a evolução da radioterapia, que hoje utiliza a tecnologia IMRT (Intensity-Modulated Radiation Theraphy). Com a possibilidade de modular a intensidade do feixe, esse método é mais avançado do que os anteriores e diminui os riscos de sequelas na pele. A dosagem da radiação é medida em centigreis (cGy) e a taxa aplicada pode influenciar diretamente na reação provocada no paciente.
“As tecnologias mais recentes permitem que os profissionais distribuam melhor as doses de radiação, o que ajuda a minimizar os efeitos colaterais. Preferimos utilizar uma dose mais baixa em um volume maior do que concentrá-la em dois ou três campos”, tranquiliza o Dr. Cássio Pellizzon.
Fonte: A.C. Camargo Cancer Center
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